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    sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

    O horário em que uma pessoa se alimenta pode ser fundamental para a dieta

    O horário em que uma pessoa se alimenta pode ser tão fundamental para que uma dieta dê certo quanto o que ela come, concluiu um estudo da Universidade Harvard, nos Estados Unidos. Após avaliarem mais de 400 pessoas com excesso de peso, os autores da pesquisa concluíram que quem realiza a principal refeição do dia mais tarde (por exemplo, almoça depois das três horas da tarde) tende a ter maior dificuldade para emagrecer do que aqueles que fazem a refeição mais cedo. Essas conclusões foram publicadas nesta terça-feira no periódico International Journal of Obesity, do grupo Nature.

    O estudo, coordenado por Frank Scheer, diretor do Programa de Cronobiologia Médica do Hospital Brigham and Woman, da Universidade Harvard, selecionou 420 indivíduos com excesso de peso que, durante 20 semanas, seguiram um programa de perda de peso baseado na chamada dieta do Mediterrâneo. Metade dos participantes foi orientada a almoçar mais tarde (após as 15 horas) e o restante, mais cedo (antes das 15 horas). O almoço era a principal refeição da dieta seguida, já que era o momento em que 40% das calorias totais ingeridas no dia eram consumidas.

    Ritmo
    Segundo o estudo, as pessoas que almoçaram mais tarde costumavam consumir menos calorias no café da manhã e eram mais propensas a pular essa refeição. Mesmo assim, ao final da pesquisa, elas apresentaram um ritmo de perda de peso muito menor e perderam significativamente menos peso do que o restante dos participantes. 

    Elas também apresentaram uma menor sensibilidade à insulina, quadro que indica um risco mais elevado de diabetes. As refeições menores não pareceram influenciar na perda de peso.

    Os resultados foram semelhantes mesmo após os autores levarem em consideração fatores como ingestão e gasto de calorias. "Nosso estudo enfatiza que o momento da refeição em si pode desempenhar um papel importante na perda de peso. Assim, sugerimos que médicos que indicam programas de emagrecimento levem esse fator em consideração", diz Frank Scheer.

    Fazer dietas rigorosas demais
    Regimes restritivos estão fadados a terminar um dia, mas quem sofre com obesidade ou sobrepeso terá que lidar com esse problema para sempre. Dietas que restringem nutrientes essenciais, como carboidratos, proteínas ou gorduras, além de não funcionarem a longo prazo, são prejudiciais à saúde, já que as refeições deixam de ser balanceadas. "O ideal é um planejamento alimentar pensado para cada pessoa, pois cada um tem organismo, genética e rotina diferentes", explica o endocrinologista Bruno Geloneze.

    Ter obsessão com a balança
    Ansiedade e desânimo podem ser alguns dos sentimentos provocados quando uma pessoa se pesa frequentemente. Uma perda de peso saudável é progressiva e lenta, então não vale à pena criar expecativas quanto a resultados a todo o momento. Aqueles que seguem uma alimentação saudável e praticam exercícios físicos podem não diminuir o peso na balança, mas estão emagrecendo, já que estão substituindo gordura por massa magra. "Além disso, as pessoas não devem se iludir quando perdem peso sem fazer exercícios físicos, pois muitas vezes perderam massa magra, e não gordura", explica Geloneze.

    Não procurar acompanhamento profissional
    A reeducação alimentar, a escolha da medicação e a prática de exercícios devem ser acompanhados por médicos, nutricionistas e educadores físicos. Quem dispensa os profissionais corre risco de não conseguir emagrecer, prejudicar a saúde e sofrer contusões, por exemplo.

    Traçar objetivos impossíveis
    Quem pretende emagrecer muito e em pouco tempo pode se decepcionar e acabar desistindo de conseguir um objetivo saudável e mais acessível. Segundo o médico endocrinologista Alfredo Halpern, o ideal é que se perca de meio a um quilo por semana, e não mais do que isso. Para Geloneze, ter uma perda exorbitante de peso é extremamente difícil, e manter tal resultado é impossível.

    Ignorar o fator genético
    Quem tem uma genética que facilita o ganho de peso não deve se acomodar com essa situação, mas deve levá-la em consideração quando pretende perder peso. "Cada um deve querer emagrecer de acordo com a sua estrutura e nunca comparar o seu peso com o de alguém com tendência a ser magro", explica o endocrinologista João Eduardo Nunes Salles. Segundo os médicos, pessoas com obesidade de grau I ou II que perdem 10% de seu peso, entre 3 e 6 meses, já têm grandes melhoras em problemas cardiovasculares e diabetes, por exemplo.

    Pular refeições
    Quem deixa de comer durante o dia, ou terá um problema de desnutrição ou não conseguirá manter a restrição alimentar até a noite. Então, somando fome, ansiedade e o estresse acumulado do dia-a-dia, aquele que pulou refeições comerá pior, em maior quantidade e mais rápido à noite, um período do dia em que o organismo está programada para armazenar, e não gastar, energia. Além disso, os médicos afirmam que pular refeições não emagrece. Mesmo em busca da perda de peso, todos devem comer de 3 a 5 vezes ao dia.

    Contar somente com os remédios
    As medicações devem ser receitadas por um médico e encaradas como coadjuvantes do processo de emagrecimento, e não como protagonistas. Elas devem complementar uma alimentação correta e prática de atividades físicas.

    Relaxar depois de emagrecer
    Uma pessoa que tem tendência a ganhar peso nunca deixará de ser assim, mesmo depois de emagrecer. Então, ela deve se conformar com o fato de que terá que se controlar para o resto da vida. Alcançar a perda de peso ideal não é motivo para deixar de praticar atividade física, comer corretamente e frequentar um médico. Segundo Halpern, as pessoas não devem se acostumar a ganhar um ou dois quilos, mesmo depois de ter emagrecido vinte.

    Exagerar nas atividades físicas
    Quem sempre foi sedentário ou está desacostumado a fazer exercícios físicos deve começar aos poucos com as atividades. Caminhadas regulares são as práticas mais indicadas para quem está começando. Iniciar as atividades com esportes violentos ou que exijam muito do corpo pode causar lesões e interromper precocemente algo que deveria ser progressivo. Além disso, é perigoso para pessoas com obesidade que geralmente apresentam problemas cardiovasculares.

    Fonte: Veja
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