Entendendo a Graça


2001 foi um ano importante para mim; estava pisando à universidade a primeira vez. Logo nas primeiras semanas, à frente na recepção da UESPI, Campos de Parnaíba, havia uma carta exposta que amontoava a atenção dos universitários. Um estudante universitário antes de tirar a própria vida a havia escrito. O conteúdo? Pessimista. Deixou arrolado alguns objetos pessoais dedicados a seus companheiros de faculdade. Nela dizia “sou uma pessoa feliz, sou alguém sociável”. Ao findar a carta, o estudante matara-se com um tiro na cabeça com um revólver calibre 38.

Após lermos, meus colegas Francisco José e Francisco de Sousa perguntaram “E aí, Josiel, uma pessoa que tira a vida vai pro céu ou pro inferno?” A pergunta foi direta. Merecia resposta de igual peso. Falei que nas condições do estudante era impossível porque a salvação é fruto da Graça de Deus. Eles ficaram por instantes calados, depois passaram a fazer considerações sobre o que eu havia dito. “Você é muito radical!” Concluíram. Na segunda carta de Paulo aos coríntios diz que “o deus deste século cegou o entendimento dos incrédulos para que não resplandeça o evangelho de Cristo”(4.4).

Mas o que vem a ser a Graça de Deus? É mais que o bem por mal. Em palavras não podemos esclarecê-la perfeitamente. O que podemos é mostrar tão somente a ponta do “iceberg”. Ela é a bondade de um Deus Verdadeiro e Único apaixonado por criaturas constantemente pérfidas e falhas. Nesse contexto, é o presente versus o ausente, é o entregue versus o não-grato.
Lembro-me que desde criança vivi católico romano até os meus 19 anos, nisso, na comunidade do bairro Petecas em Piripiri, servi à religião assiduamente. Participava da catequese, e quando em 1996 me puseram como catequista da sala de criança, fiquei contente. Rezava as novenas marianas no mês de maio nas residências; participava do grupo de jovens JUSCC – Jovens Unidos Seguindo Cristo na Comunidade, havia reuniões todos os domingos, então o grupo de jovens se reunia com o mesmo objetivo, servi Cristo na comunidade, muitos como eu servíamos com toda sinceridade, embora fôssemos alheios à Verdade (Jo 14.6) outros faziam noitadas, na época eu achava perfeito, assim formamos um grupo religioso de teatro, fizemos várias apresentações na comunidade com peças de caráter social, além da paixão de Cristo. Nosso grupo começou a prosperar, nos apresentamos no Auditório Embaixador Expedito Resende para uma platéia pagante, fizemos uma apresentação beneficente a pedido do Conselho Tutelar de Piripiri em um circo e  por último fomos convidados para o grande festejo de “Nossa Senhora” na igreja matriz. Naquela noite quando subi ao palco, vi aquela multidão de curiosos que se exprimiam nas ruas e na calçada da igreja, Fez-me um grande frio na barriga que logo desaparecera com a entrada de minha fala. Depois estávamos realizados. Os dias continuaram e vez por outra um lapso de tristeza profunda. Minha mãe se preocupava, mas não tinha a solução. Acompanhei diversas freiras e padres, tentava imita-los no proceder; confessava-me todos os meses e o padre me dizia reze duas “salve-rainhas, três ave-marias seis pais-nosso e descanse tranqüilo”. Diante da imagem de “Nossa Senhora”, após beija-lhes os pés, rezava. Mas não sentia alívio para aquele tormento. Todos os meses eram iguais. Rezava e não me sentia aliviado, a tristeza se agigantava em minha vida.

No entanto em 98, mês de abril, dia 05, convidado por Franclande Lopes e Ismael resolvi ir a um culto na Igreja Evangélica Assembléia de Deus, localizado no bairro Caixa d’água, em Piripiri. Os amigos que me convidaram não puderam está presentes nessa noite. Mesmo assim resolvi ficar. Ao fim do trabalho, na saída o evangelista José Carlos fez-me um convite que nunca houvera ouvido. “Você quer aceitar a Jesus como seu salvador pessoal?” Demorei um pouco, vieram-me pensamentos confusos, mas ao fim aceitei-O. Após a oração estava levíssimo. Eu não sentia pedalar, houvera brotado uma paz repentina, que me fazia rir ao vento; era uma sensação tão maravilhosa a ponto de me fazer sentir flutuar, para mim não havia esforço algum em pedalar até minha casa a mais de quatro quilômetros de distância da igreja, além disso uma vontade tão grande de andar sorrindo e de falar a todos que eu era crente em Jesus. Eu de fato sentira um peso sair das minhas costas, não sabia o que era aquilo, somente depois vim a entender. Era a Graça de Deus que havia entrado na minha vida. A Graça é aliviadora. Disse Jesus “Vinde a mim todos os que estais cansados e oprimidos e eu vos aliviarei” (Mt 11.28).

Por: Josiel Barros

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